quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sobre cultura de massa e indústria da cultura (reflexões)

Recentemente fiz a leitura do texto “A cultura de massa no banco dos réus” do livro “Apocalípticos e Integrados” de Humberto Eco. Nele foram documentadas as acusações e defesas sobre cultura de massa, e no contexto histórico em que elas foram descritas a sociedade era, certamente, outra. Portanto, ressaltam-se, nos dias de hoje, negativamente, as acusações contra todo produto advindo da cultura para as massas.

O fato de atualmente a cultura feita para as massas estar mais evidente é decorrente do grande crescimento da indústria cultural, que nas últimas décadas tem dominado mais do que nunca as massas. Tanto que se torna difícil saber quem são e quem não são produtos dela. A dificuldade dá-se por haver muitas “coisas” que parece ser cultura sendo industrializadas, vendidas, e com isso aquele sentimento de originalidade torna-se cada vez mais distante da realidade atual, parecendo ser tudo mimese massificada.

Tudo tem um lado comercial, logicamente que quem produz cultura fora dessa indústria quer lucrar com sua arte também, a diferença está no fazer pensar do próximo, pois quem se dispõe a fazer e produzir cultura produtiva para o pensar, mesmo envolvendo lucros, pensa principalmente no indivíduo e em como ele pode refletir melhor sobre o espaço em que está inserido, para com isso propor melhorias para ele e para todos os membros da sociedade.

Mas no que tange cultura industrial, há produtos dela sendo fabricados e vendidos para um público que eles acreditam ser homogêneo, e se eles acreditam nisso, o próximo passo é fazer com que o indivíduo torne-se de fato homogêneo. Sendo assim, esse público passa a acreditar, também, que ser igual ao próximo é ideal, é cultura, é sociedade, eis que surgem pessoas transformadas em massa.

Para se criar uma massa consumista e consolidada foi preciso que a publicidade ficasse cada vez mais forte e atrativa, e ficou, pois com o seu crescimento a indústria da cultura pode vislumbrar grande ascensão nos lucros dos produtos de cultura industrializados e divulgados. Segundo a escritora Eclea Bosi, a cultura de massa realmente não passa de “imposições ditadas pelos meios de comunicação”, ela é forte aliada da indústria da cultura, e ao mesmo tempo em que se encontra cultura que não é feita para massas e sim para indivíduos, encontra-se, também, em maior quantidade, produtos fabricados para as massas.

É só ligar a televisão, em qualquer canal aberto, para ver a enxurrada de propagandas vendendo cultura fabricada para uma massa, a mesma coisa acontece ao se folhear uma revista, pois ao mesmo tempo em que se encontra divulgação de uma determinada peça, encontra-se também, como exemplo, notícia a respeito do cabelo da moda da atriz que está estrelando a peça.

Outro exemplo clássico são as canções, pois as grandes gravadoras levam até as rádios populares seus artistas com seus produtos, e sendo assim, elas tocam para um ouvinte que já foi/ está acostumado com o tipo de canção que ela vincula. Portanto, condiciona-se nessa massa uma sensibilidade passageira de que o que está no mercado fazendo sucesso é bom e de qualidade. Juntamente com as canções, tem os artistas que a indústria “lapida”, nesse percurso eles adquirem fama e junto com as canções a indústria inserem no mercado as roupas que eles usam, tornando-as tendência e moda, ou seja, consumo. Por fim, a massa terá que copiar esse produto, usar essa roupa, ouvir essa música para ser aceita por outros integrantes dessa mesma massa, ou seja, uma coisa puxa a outra na indústria da cultura.

Mas no que se refere a rádio e a vários segmentos da cultura, com certeza há estações, editoras entre outros meios que ainda fogem disso, produzindo canções, livros, peças etc, que conseguem escapar do modismo pontual da época, mas certamente esses meios, que vai contra a maré, não têm a mesma audiência daqueles que só produzem para o que é considerado certo pela indústria da cultura de massa.

Prever um fim para a indústria da cultura é impossível, ainda mais dentro de um contexto capitalista selvagem inserido na sociedade atual, mas é preciso ressaltar que nos tempos atuais, deve-se dar o devido lugar e valor para o crescimento da internet e tecnologia. Hoje a maioria das pessoas está conectada pela rede, tanto os que consomem quanto os que não consomem produtos da cultura industrializada, e com isso/ apesar disso, os artistas, escritores etc, que não conseguem encontrar um caminho de divulgação e apoio ao seu trabalho, todos que de alguma maneira estão fora e são excluídos dessa indústria da cultura, encontraram na internet a possibilidade de concretizar o objetivo de divulgar seu trabalho, sua arte e seu valor.

Os blogs, as redes sociais, o youtube, enfim, todas essas ferramentas têm ajudado quem está na luta e contra a maré da indústria da cultura a encontrar seu lugar, e o mais importante, seu público sedento por arte nova e inteligente, que faz pensar.

Esses são apenas alguns exemplos, citado de maneira superficial, de como uma indústria massificada age com seus produtos e marcas. Definir cultura, em seu sentido amplo, é bastante complexo, pois há inúmeros conceitos e definições, e tratar de conceituá-la neste artigo torna-se algo incabível, mas, de uma forma geral, citando a autora Denise Macedo Ziliotto: “A cultura de determinada civilização vem a ser, portanto, o conjunto de seus valores e conhecimentos perenes”.

Enfim, conhecimento é algo que uma sociedade, com sua cultura, deve preservar, embora existam dificuldades no caminho, pelo fato dos inúmeros produtos que a indústria da cultura insiste em fazer a sociedade engolir, é preciso ter e preservar a consciência de que o individualismo do pensamento, para os quereres culturais, como vestir a roupa que quiser, saber ouvir canções e músicas, opinar a respeito de uma leitura etc, são importantes.

O saber jamais deve ser manipulado.

4 comentários:

  1. Opinar a respeito de uma leitura... como é difícil encontrar pessoas que realmente queiram fazer isso... parece muito mais interessante opinar sobre os "big brothers" da vida... mas nós somos persistentes!

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  2. Me ajudou muito a compreender sobre a cultura de massa. Ótimo pensamento crítico e análise geral. Obg.

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  3. Me ajudou muito a compreender sobre a cultura de massa. Ótimo pensamento crítico e análise geral. Obg.

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  4. Me ajudou muito a compreender sobre a cultura de massa. Ótimo pensamento crítico e análise geral. Obg.

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