segunda-feira, 18 de maio de 2015

Elena, o filme - Sensações

Elena.

Um filme que depois que a gente assiste até a respiração dói.

Mas não é qualquer tipo de dor.

É um vazio cheio, vontade de gritar.

Elena.

Quando a arte machuca,

quando a arte dói tão profundamente que a vida se torna pouco.

E tudo se transforma em gotas, em água.  

Elena.

Me tornei silêncio depois que assisti.

Me peguei com a mão no peito.

Vazio. Cheio.

Água.

Elena.

Ainda dói.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

Dia estranho

Acordar bem.
Tomar café. Preto.
Casual Day.
Ser (não ser) e estar.

A rotina.
Pessoas.

As pessoas vão embora.
Elas passam. 
Elas passam porque nada dura para sempre.
Mas deixam a marca.
A presença.

Somos muitas pessoas que passam na nossa vida.

Hoje a cor está diferente.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Sobre se desculpar...

Estou há dez anos no mercado de trabalho. Comecei como auxiliar de costura (dá para acreditar?) e escritório; dei algumas aulas de literatura brasileira e de inglês; depois fui trabalhar como assistente de comunicação e marketing, fiquei nesse cargo por cinco anos; e, nos dias de hoje, trabalho com produção editorial, ufa.

Mas o que eu quero dizer com tudo isso, com esse fala que eu te escuto profissional?

A resposta é bem simples, mas para algumas pessoas a simplicidade está longe de ser algo a ser seguido/entendido, por isso não me custa nada dar dicas: Para chegar até aqui, modéstia à parte, com todas as portas anteriores abertas, eu precisei muitas vezes pedir desculpas, como também ser humilde, dar muita satisfação e até ser um pouco caxias.

Sei que muitos vão pensar: “... mas pedir desculpas é sinal de fraqueza, baixa autoestima” entre outros mimimis a respeito.

Mas, gente, o que há de errado em se desculpar, assumir o erro, mostrar humildade nas situações que pedem isso da gente?

Assumindo essa postura submissa em relação à profissão a gente só tem a ganhar, pois nos tornamos pessoas confiáveis e conquistamos o respeito de nossos gestores e também dos nossos colegas de trabalho.

Desde sempre somos movidos a exemplos no ambiente de trabalho, pois quando se é novo em algum serviço e no mercado de trabalho, é preciso ter uma boa referência para seguir corretamente a cultura da empresa.

Sendo assim, com um bom exemplo a se seguir e com um pote até aqui de educação e humildade, chega-se longe em qualquer empresa...

... E eu nem preciso dizer que com essas atitudes conscientes chega-se longe em qualquer aspecto da vida, né? 


#FicaaDica

#JogodeCintura


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Ah, os filmes do gênero musical...


Há quem não goste de musicais e muito menos de filmes do gênero, afinal, tem gosto para tudo e cada um tem o seu. Inclusive, há quem ache um pouco esquisito o lance de, no meio da fala/cena, personagens chegar chegando e cantando e dançando...

Ah, mas, SIM, eu amo filmes de Musical #muitoamor

Não sou especialista e muito menos entendida do assunto, apenas gosto e canto e vou atrás das músicas. Tudo isso se enquadra a uma paixão, epifania.

Mas vamos direto ao assunto...


Confira abaixo a lista dos meus filmes do gênero musical favoritos:


Mary Poppins (1964)

Que eu me lembre, este foi o primeiro filme de musical que eu assisti. E foi por causa dele que pedi para o meu pai me levar à locadora para alugar mais fitas de musicais (achei vintage escrever "fita")...



Supercalifragilisticexpialidocious





A Noviça Rebelde (1965)

Definitivamente, depois de Marry Poppins, virei fã da Julie Andrews e, também, do filme A Noviça Rebelde. Seu enredo e suas canções geraram vários intertextos e paródias. Mais que um clássico, este musical é um fenômeno do gênero!






A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971)

E já que estamos falando de clássicos, eu não podia deixar de citar o A Fantástica Fábrica de Chocolate. Apesar de eu morrer de medo dos upalupas, eu adorava/adoro este filme e suas músicas. Gosto também da versão "atual" com o Johnny Depp, mas ainda assim prefiro o antigo, acho inclusive a primeira versão mais musical:





Hair (1979)

Tive a oportunidade de assistir a versão cênica e cinematográfica desta obra, que é uma mistura do objeto valor de liberdade com a imposição/obrigação militar da época (Guerra do Vietnã). Recomendo demais, até para quem não curte o gênero, o filme/musical é uma lição de vida. 






O que foi produzido no passado é lindo, divino, maravilhoso... Mas as produções, como tudo na vida, evoluem, seguem em frente. Vejamos:


Moulin Rouge (2001)

Da lista, este é o favorito. Ele surgiu numa época em que os musicais estavam meio esquecidos nas grandes produções cinematográficas. Eu me lembro que não pude assistir no cinema quando foi lançado, não tinha idade suficiente, mas assim que saiu nas locadoras eu assisti e foi muito, muito amor. Sim, sei cantar todas as músicas #confesso.





Mulan (1998)

Gosto muito das animações da Disney, e a maioria delas tem algum tipo de canção e humor. No caso de Mulan, isso não é diferente. Além do enredo belíssimo, todas as canções do filme são lindas e condiz com o contexto da história. Lindo, lindo!





Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Injustiça que leva à sede de vingança e à perversidade. Este filme mostra como um enredo cheio de canções pode ser, também, angustiante e de dar medo. Recomendo.





O Fantasma da Ópera (2004)

Canções e figurinos fantásticos. Este filme não teve o merecido destaque à época, mas ganhou, com certeza, os fãs do gênero, como eu.






Across the Universe (2007)

Atores jovens e bonitos numa vibe de liberdade e com trilha sonora dos Beatles. Não, este filme não tinha como dar errado. Tudo nele é bonito, já escrevi sobre ele no blog. Sim, está na minha lista de favoritos com certeza. Por favor, quem não assistiu, assista!







Os Miseráveis (2012)

Apesar de adorar o gênero, evitei assistir este filme, sei lá, tinha um certo receio. Resisti o quanto pude e no ano passado tomei coragem e o assisti... umas quatro vezes. O roteiro é bem amarradinho, apesar das várias passagens de tempo, e ele é todo, TODO cantado, até mesmo nas pequenas falas. Os prêmios recebidos e os três Oscar foram merecidos. Maravilhoso!





Selecionei nesta postagem dez filmes do gênero musical que me marcaram. Há outros que eu colocaria na lista, pelo fato da música fazer todo o sentido no enredo, mas por não se tratar de um musical propriamente dito eu os deixei de fora. São eles: Juno, Johnny e June, Piaf, Gonzaga - De pai para filho, Somos tão Jovens entre outros, muitos outros. 


Se você tem algum favorito desta lista ou outros filmes do gênero para citar, pode comentar!


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

sobre Daquele Instante em Diante




 “Meu nome é

Benedito João dos Santos Silva Beleléu

Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé”


Itamar Assumpção



Há dois anos escrevi sobre Itamar Assumpção aqui no blog, numa postagem intitulada Itamar Assumpção, o “maldito” da MPB”. E se tem alguma coisa que eu mudaria nesse texto, seria o título. Isso porque assisti ao documentário do Rogério Velloso, Daquele Instante em Diante, sobre a vida do Nego Dito, e descobri que o apelido de maldito não o agradava, e com razão, pois ninguém merece ser “maldito” simplesmente por não querer ser o que os representantes da grande indústria de música determinava e fazer diferente o que a maioria fazia igual. E ele fazia de um jeito tão cênico, inteligente. 


Daquele Instante em Diante emociona e fascina, porque além das imagens de shows inéditos e de um Itamar inconformado e inquieto com a atualidade em que vivia à época, podemos ver, também, entre o preparo de um cafezinho e outro (dá até para sentir o aroma assistindo ao filme) depoimentos sinceros e saudosos de amigos e companheiros de jornada, entre eles Luiz Tatit, Arrigo Barnabé, Alice Ruiz, Suzana Salles entre muitos outros, e também declarações comoventes da sua esposa Zena e das filhas Serena e Anelis, tudo tão sincero e delicado, na medida certa para nos encantar.


Vale a pena conferir para conhecer melhor a trajetória do grande artista Itamar Assumpção, o Nego Dito, que deixou sua marca no cenário musical brasileiro tão lindamente. 


Recomendo a obra de Itamar para vida.



Assista o trailler do filme Daquele Instante em Diante abaixo. Para assistir ao filme na íntegra Clique aqui! Vale a pena:


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Tanto que falta para ficar ok


Ilustração Tulipa Ruiz


“Não tenha medo da perfeição. Você nunca vai atingi-la.”
Salvador Dali




Numa dessas noites de sábado que fiquei em casa, parei para assistir ao programa Ensaio, da TV Cultura, com a participação da cantora e compositora Tulipa Ruiz (assista aqui) para minha sorte e deleite. Ela é maravilhosa.


E em uma de suas falas, mais precisamente antes da canção OK, do álbum Tudo Tanto, ela contou sua inspiração para a composição dela, que foi baseada na história de seus avós. Sua avó, sempre na expectativa de agradar seu avô, perguntava ao marido se ela estava fazendo tudo certo, no que ele respondia: “só falta um pouquinho para você ser perfeita”, ou seja, sempre no quase lá, o que a deixava levemente frustrada, para não dizer furiosa. Apesar dessa frustração da avó, Tulipa achava a história divertida e a colocou num contexto musical, que ficou incrível.


Eu já gostava dessa música, depois dessa pequena história da Tulipa no programa, eu passei a gostar ainda mais, pois me fez pensar e refletir.


E pensando, cheguei à conclusão de que tem um pouquinho da avó da Tulipa em cada um de nós, que é o de querer fazer sempre tudo certinho e perfeito, mas como seres humanos, por vezes tortos que somos, não conseguimos sempre acertar, mas acredito, sinceramente, que a gente vive para tentar, a cada dia, fazer nosso melhor.


O sujeito da canção Ok ultrapassa um pouco o limite entre agradar os outros e a si mesmo, pois vive sendo o que não é para agradar o próximo e ter tudo o que deseja. Viver sendo o que os outros esperam de você, dizer sim a tudo quando na verdade a vontade é dizer não entre outras coisas, penso que é como morrer um pouco a cada dia. Nos dias de hoje, pelo pragmatismo que por vezes nos agride, pode ser difícil, mas é preciso, sim, ser de verdade, agir de verdade, acreditar que você é boa/bom de verdade, mesmo que o mundo diz o contrário. Pois, muitas vezes o inferno são os outros, e isso também é uma verdade.



OK

Tudo pra ser

Aquilo tudo que todo mundo espera

Todo um perfil

Aquele jeito que todo mundo gosta

Tudo pra ter

Tudo

Um jeito que agrada todos

Muito pra ver

O que te falta o que todo mundo espera

Está por um fio

Aquela cara que a gente mais venera

Pode apostar

Tudo

Num jeito de arrumar

Tudo

Tudo afiado na ponta da língua

Tudo decorado de cabeça

Você permanece muito combinado, calculado

Mesmo sem medida

Tudo

Tanto que falta

Para chegar no ponto

Tanto que falta para ficar ok



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Antiperipléia



Elenco Cia Nuvem da Noite (Antiperipléia)

Estive no Ribeirão Em Cena para assistir Antiperipléia, peça baseada em duas obras de Guimarães Rosa, adaptadas por Gilson Filho, com direção de Renato Ferreira, e em meio à narrativa de noivas cegas intervendo no percurso do Augusto Matraga (“A hora e vez de Augusto Matraga”) e Soropita (“Dão-lalalão – O Devente”), posso afirmar que vivi, em uma hora e dez de espetáculo, uma catarse inesperada.


Inesperada, pois antes de ir prestigiar a peça, me preparei para encontrar a dificuldade na linguagem de Guimarães Rosa. Imaginava, sim, algo espetacular, porém, com suas limitações. Trabalhei mente, olhos e ouvidos, todos os sentidos, para que eu pudesse sentir Antiperipléia. 


Mas, eu me surpreendi euforicamente desde o primeiro apagar de luz. Apagar de luz porque ao adentrar ao teatro para me acomodar, os atores, já travestidos, estavam em suas marcações. Tudo começa quando se apaga, e esse apagar já provocou em mim as melhores sensações, anteriormente aguçadas. O que esperar?


Noivas Cegas. Corpos. Performance. Vozes. Batuque. Tudo ali no palco. 


Linguagem. E para minha surpresa, um Guimarães Rosa popular na prática. Compreensivo. Inimaginável.


A proximidade sentida desse ambiente surreal, fantasmagórico, é movida pelas paixões dos sujeitos, que cometem atitudes fortemente identificadas, sujeitos possíveis, tudo trabalhado magistralmente. Não tem como não se reconhecer no palco. Sim, catarse na sua forma mais explícita.


Ontem pude constatar, ver para crer, em Antiperipléia, que Guimarães contou o que somos. Guimarães nos representa.