sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Paradoxo, nada nos separa



Olá amigos,

Por causa de alguns perrengues que me aconteceram e me fizeram refletir (eufemismo mode on) há algumas semanas, este post merecia um super momento fala que eu te escuto (sic). Mas, eu não estou a fim de ficar de bad por aqui, pois apesar dos pesares estou radiante com os acontecimentos maravilhosos que, também, estão me acontecendo. Sim amigos, minha vida está, para variar, um verdadeiro paradoxo, afinal de contas a vida nesta terra é assim, feita de altos e baixos.

Enfim, explicações à parte, e ao invés do clássico mimimi, nada melhor do que um bom e velho momento epifânico, por essa razão a minha escolha da semana é: A Revolta dos Dândis, dos Engenheiros do Hawaii, pois diz tudo o que sinto algumas (maioria das...) vezes: uma estrangeira, que está de passagem, entre o real e o abstrato, tentando me encontrar na linha tênue entre a loucura e a lucidez, ai ai essa música é linda. Aliás, as letras e melodias do Humberto Gessinger poderiam perfeitamente estampar qualquer fase da minha vida, seja ela triste, alegre, niilista e paradoxal, Engenheiros me representa:


A Revolta dos Dândis - Engenheiros do Hawaii

“...Entre os outros e vocês

Eu me sinto um estrangeiro

Passageiro de algum trem

Que não passa por aqui

Que não passa de ilusão...”



Trecho extra, esse é para acabar...
 
Antes de encerrar esse post em definitivo, cá entre nós, nada mais démodé do que mania de perfeição né? E graças a Deus eu não sou perfeita. Isso não quer dizer que não vou querer evoluir como ser humano, é o que procuro. É o que busco. Evolução dentro daquilo que sou, dentro daquilo que posso e acredito. 

Nasci para aprender, vivo por descobrir sentido na vida, sou movida por paixões, escrever me liberta.


Um ser sendo.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um abraçaço para Caetano Veloso

 Foto da capa do novo CD do Caetano Veloso: Abraçaço

Hoje, 7/8, é dia de mandar um abraçaço para Caetano Veloso, que completa 71 anos em plena forma musical. Viva.

E como eu adoro postar momentos epifânicos por aqui, achei digno publicar uma música dele que adoro, pois é do jeitinho tropicalista de ser, ou seja, confuso e coerente em suas frases conexas e desconexas, tudo junto e misturado ali, ao mesmo tempo. É uma confusão que me atormenta e encanta. Eu vibro, é lindo de viver.

A trilha de homenagem ao aniversariante de hoje é Língua, porque o aniversário é do Caetano, mas aqui no cantinho o deleite é nosso:

Língua
Caetano Veloso


Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E - xeque-mate - explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
- Será que ele está no Pão de Açúcar?
- Tá craude brô
- Você e tu
- Lhe amo
- Qué queu te faço, nego?
- Bote ligeiro!
- Ma'de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
- Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
- I like to spend some time in Mozambique
- Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.




Adoro também esta versão mais antiga com a Elza Soares:

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Hoje eu acordei meio Rita Lee


foto divulgação site Catraca Livre

Minha playlist é um maravilhoso universo by Me, nele tem de tudo que eu mais amo no quesito canções, e daí que hoje eu acordei meio “Pagu indignada no palanque” e decidi seguir meu percurso para o trabalho ao som de Rita Lee... (Quem nunca experimentou acordar ao som de Rita Lee fica a dica e cante, bem alto).

E música vai, música vem, “mamãe natureza” pra lá “esse tal de rock and roll” pra cá, e me desce mais duas doses de Rita, pensamentos e epifanias, e eis que me vejo dentro de uma regressão ao passado por meio de lembranças, e me lembrei da primeira vez que ouvi um LP da Rita Lee. 

Minha mãe têm vários vinis em casa e o passa tempo preferido dos meus pais era soltar o som na vitrola enquanto pintávamos na mesinha de madeira rústica, e eu adorava quando colocavam o da Rita Lee, sem ao menos sonhar o que aquela ex-Mutante do cabelo vermelho representava no cenário musical. Naquela época eu já gostava de ouvir vozes bonitas, e a dela em particular me encantava, por ser doce, brava, levada, tudo junto numa só voz, para delírio meu, delírio! E gostava tanto das músicas, gosto tanto ainda. Sim, Rita Lee e suas canções embalaram linda e loucamente minha infância, adolescência e ainda embalam a minha vida adulta.

Música para mim é isso, um transe quase sem querer, um estar em epifania, lembranças de momentos e histórias feitas por Rita, Chico, Zeca, Gil, Beatles, Camelo, Tulipa, Gessinger etc (porque se eu continuar as citações de nomes aqui nunca acabarei este post). Amo, simplesmente.

Abaixo, trilha by Rita Lee para você se inspirar também, assim como eu.. "uma pessoa comum, um filho de Deus..."


Saúde - Rita Lee

Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima, nesse chove-não-molha
Eu sei que agora eu vou é cuidar mais de mim
Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz
Como vai? Tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar, não!
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte de gente feliz


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Chico e Gil




Personitas!

Nesta quarta-feira, 26/6, é aniversário do Gilberto Gil, e na quarta-feira passada, 19/6, foi aniversário do Chico Buarque (uau, coincidência linda né?) dois cantores e compositores que admiro e escuto muito. 

Pessoas próximas a mim sabem o quanto me deleito pelos cantores e cantoras da MPB, especialmente eles.


Mas enfim, deixando minhas preferências de lado, e para deixar registrada minha homenagem a esses grandes, Chico e Gil, aqui no meu cantinho, deixo com vocês a letra e o vídeo da música “A mão da Limpeza”, composta por Gilberto Gil, que faz, perfeitamente, uma análise da condição do negro e do branco. O vídeo os traz numa situação divertida, apesar do contexto da letra. Adoro este vídeo há tempos, desde à época da faculdade. A música faz pensar, e muito, no contexto histórico em que vivemos durante a escravatura e depois dela, nos dando uma dimensão sobre essa situação também nos dias de hoje. 


As criações de Chico e Gil são reflexões puras, sempre. Eu sou apaixonada.


Parabéns aos dois.


A Mão da Limpeza


O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê

Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o negro penava, ê

Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza

Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão
De imaculada nobreza

Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, ê
Imagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão.
 

O vídeo é necessário personas. Assistam!