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segunda-feira, 21 de junho de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Teleco, o coelhinho - Murilo Rubião

- Moço, me dá um cigarro?
A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.
O importuno pedinte insistia:
- Moço, oh! moço! Moço, me dá um cigarro?
Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:
- Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.
- Está bem, moço.Não se zangue. E, por favor, saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.
Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento, a me interpelar delicadamente:
- Você não dá é porque não tem, não é, moço?
O seu jeito polido de dizer as coisas comoveu-me. Dei-lhe o cigarro e afastei-me para o lado, a fim de que melhor ele visse o oceano. Não fez nenhum gesto de agradecimento, mas já então conversávamos como velhos amigos. Ou, para ser mais exato, apenas o coelhinho falava. Contava-me acontecimentos extraordinários, aventuras tamanhas que o supus com mais idade do que realmente aparentava.
Ao fim da tarde, indaguei onde ele morava. Disse não ter morada certa. A rua era o seu pouso habitual. Foi nesse momento que reparei nos seus olhos. Olhos mansos e tristes. Deles me apiedei e convidei-o a residir comigo. A casa era grande e morava sozinho - acrescentei.
A explicação não o convenceu. Exigiu-me que revelasse minhas reais intenções:
- Por acaso, o senhor gosta de carne de coelho?
Não esperou pela resposta:
- Se gosta, pode procurar outro, porque a versatilidade é o meu fraco.
Dizendo isto, transformou-se numa girafa.
- À noite - prosseguiu - serei cobra ou pombo. Não lhe importará a companhia de alguém tão instável?
Respondi que não e fomos morar juntos.
Chamava-se Teleco.
Depois de uma convivência maior, descobri que a mania de metamorfosear-se em outros bichos era nele simples desejo de agradar ao próximo. Gostava de ser gentil com crianças e velhos, divertindo-os com hábeis malabarismos ou prestando-lhes ajuda. O mesmo cavalo que, pela manhã, galopava com a gurizada, à tardinha, em lento caminhar, conduzia anciãos ou inválidos às suas casas.
Não simpatizava com alguns vizinhos, entre eles o agiota e suas irmãs, aos quais costumava aparecer sob a pele de leão ou tigre. Assustava-os mais para nos divertir que por maldade. As vítimas assim não entendiam e se queixavam à polícia, que perdia o tempo ouvindo as denúncias. Jamais encontraram em nossa residência, vasculhada de cima a baixo, outro animal além do coelhinho. Os investigadores irritavam-se com os queixosos e ameaçavam prendê-los.
Apenas uma vez tive medo de que as travessuras do meu irrequieto companheiro nos valessem sérias complicações. Estava recebendo uma das costumeiras visitas do delegado, quando Teleco, movido por imprudente malícia, transformou-se repentinamente em porco-do-mato. A mudança e o retorno ao primitivo estado foram bastante rápidas para que o homem tivesse tempo de gritar. Mal abrira a boca, horrorizado, novamente tinha diante de si um pacífico coelho:
- O senhor viu o que eu vi?
Respondi, forçando uma cara inocente, que nada vira de anormal.
O homem olhou-me desconfiado, alisou a barba e, sem despedir, ganhou a porta da rua.
A mim também pregava-me peças. Se encontrava vazia a casa, já sabia que ele estava escondido em algum canto, dissimulado em algum pequeno animal. Ou mesmo no meu corpo, sob a forma de pulga, fugindo-me dos dedos, correndo pelas minhas costas. Quando começava a me impacientar e pedia-lhe que parasse com a brincadeira, não raro levava tremendo susto. Debaixo das minhas pernas crescera um bode que, em disparada, me transportava até o quintal. Em me enraivecia, prometia-lhe uma boa surra. Simulando arrependimento, Teleco dirigia-me palavras afetuosas e logo fazíamos as pazes.
No mais, era o amigo dócil, que nos encantava com inesperadas mágicas. Amava as cores e muitas vezes surgia transmudado em ave que possuía todas e de espécie totalmente desconhecida ou de raça extinta.
- Não existe pássaro assim!
- Sei. Mas seria insípido disfarçar-me somente em animais conhecidos.
O primeiro atrito grave que tive com Teleco ocorreu com um ano após nos conhecermos. Eu regressava da casa da minha cunhada Emi, com quem discutira asperamente sobre negócias de família. Vinha mal-humorado e a cena que deparei, ao abrir a porta da entrada, agravou minha irritação. De mãos dadas, sentados no sofá da sala de visitas, encontravam-se uma jovem mulher e um mofino canguru. As roupas dele eram mal talhadas, seus olhos se escondiam por trás de uns óculos de metal ordinário.
- O que deseja a senhora com esse horrendo animal? - perguntei, aborrecido por ver minha casa invadida por estranhos.
- Eu sou Teleco - antecipou-se, dando uma risadinha.
Mirei com desprezo aquele bicho mesquinho, de pêlos ralos, a denunciar subserviência e torpeza. Nada nele me fazia lembrar o travesso coelhinho.
Neguei-me a aceitar como verdadeira a afirmação, pois Teleco não sofria da vista e se quisesse apresentar-se vestido teria o bom gosto de escolher outros trajes que não aqueles.
Ante a minha incredulidade, transformou-se numa perereca. Saltou por cima dos móveis, pulou no meu colo. Lancei-o longe, cheio de asco.
Retomando a forma de canguru, inquiriu-me, com um ar bastante grave:
- Basta esta prova?
- Basta. E daí? O que você quer?
- De hoje em dia serei apenas homem.
- Homem? - indaquei atônito. Não resisti ao ridículo da situação e dei uma gargalhada:
- E isso? - apontei para a mulher. - É uma lagartixa ou um filhote de salamandra?
Ela me olhou com raiva. Quis retrucar, porém ele atalhou:
- É Tereza. Veio morar conosco. Não é linda?
Sem dúvida, linda. Durante a noite, na qual me faltou o sono, meus pensamentos giravam em torno dela e da cretinice de Teleco em afirmar-se homem.
Levantei-me de madrugada e me dirigi à sala, na expectativa de que os fatos do dia anterior não passassem de mais um dos gracejos do meu companheiro.
Enganava-me. Deitado ao lado da moço, no tapete do assoalho, o canguru ressonava alto. Acordei-o, puxando-o pelos braços:
- Vamos, Teleco, chega de trapaça.
Abriu os olhos, assustado, mas, ao reconhecer-me, sorriu:
- Teleco?! Meu nome é Barbosa, Antônio Barbosa, não é, Tereza?
Ela, que acabara de despertar, assentiu, movendo a cabeça.
Explodi, encolerizado:
- Se é Barbosa, rua! E não me ponha mais os pés aqui, filho de um rato!
Desceram-lhe as lágrimas pelo rosto e, ajoelhado, na minha frente, acariciava minhas pernas, pedindo-me que não o expulsasse de casa, pelo menos enquanto procurava emprego.
Embora encarasse com ceticismo a possibilidade de empregar-se um canguru, seu pranto demoveu-me da decisão anterior, ou, para dizer a verdade toda, fui persuadido pelo olhar súplice de Tereza que, apreensiva, acompanhava o nosso diálogo.
Barbosa tinha hábitos horríveis. Amiúde cuspia no chão e raramente tomava banho, não obstante a extrema vaidade que o impelia a ficar horas e horas diante do espelho. Utilizava-se do meu aparelho de barbear, de minha escova de dentes e pouco serviu comprar-lhe esses objetos, pois continuou a usar os meus e os dele. Se me queixava do abuso, desculpava-se, alegando distração.
Também a sua figura tosca me repugnava. A pele era gordurosa, os membros curtos, a alma dissimulada. Não media esforços para me agradar, contando-me anedotas sem graça, exagerando nos elogios à minha pessoa.
Por outro lado, custava tolerar suas mentiras e, às refeições, a sua maneira ruidosa de comer, enchendo a boca de comida com o auxílio das mãos.
Talvez por ter-me abandonado aos encantos de Tereza, ou para não desagradá-la, o certo é que aceitava, sem protesto, a presença incômoda de Barbosa.
Se afirmava ser tolice de Teleco querer nos impor a sua falsa condição humana, ela me respondia com uma convicção desconcertante:
- Ele se chama Barbosa e é um homem.
O canguru percebeu o meu interesse pela sua companheira e, confundindo a minha tolerância como possível fraqueza, tornou-se atrevido e zombava de mim quando o recriminava por vestir minhas roupas, fumar dos meus cigarros ou subtrair dinheiro do meu bolso.
Em diversas ocasiões, apelei para a sua frouxa sensibilidade, pedindo-lhe que voltasse a ser coelho.
- Voltar a ser coelho? Nunca fui bicho. Nem sei de quem você fala.
- Falo de um coelhinho cinzento e meigo, que costumava se transformar em outros animais.
Nesse meio tempo, meu amor por Tereza oscilava por entre pensamentos sombrios, e tinha pouca esperança de ser correspondido. Mesmo na incerteza, decidi propor-lhe casamento.
Fria, sem rodeios, ela encerrou o assunto:
- A sua proposta é menos generosa do que você imagina. Ele vale muito mais.
As palavras usadas para recusar-me convenceram-me de que ela pensava explorar de modo suspeito as habilidades de Teleco.
Frustrada a tentativa do noivado, não podia vê-los juntos e íntimos, sem assumir uma atitude agressiva.
O canguru notou a mudança no meu comportamento e evitava os lugares onde me pudesse encontrar.
Uma tarde, voltando do trabalho, minha atenção foi alertada para um som ensurdecedor da eletrola, ligada com todo volume. Logo ao abrir a porta, senti o sangue a afluir-me à cabeça: Tereza e Barbosa, os rostos colados, dançavam um samba indecente.
Indignado, separei-os. Agarrei o canguru pela gola e, sacudindo-o com violência, apontava-lhe o espelho da sala:
- É ou não é um animal?
- Não, sou um homem! - E soluçava, esperneando, transido de medo pela fúria que via nos meus olhos.
À Tereza, que acudira, ouvindo seus gritos, pedia:
- Não sou um homem, querida? Fala com ele:
- Sim, amor, você é um homem.
Por mais absurdo que me parecesse, havia uma trágica sinceridade na voz deles. Eu me decidira, porém. Joguei Barbosa no chão e lhe esmurrei a boca. Em seguida, enxotei-os.
Ainda na rua, muito excitada, ela me advertiu:
- Farei de Barbosa um homem importante, seu porcaria!
Foi a última vez que os vi. Tive, mais tarde, vagas notícias de um mágico chamado Barbosa a fazer sucesso na cidade. À falta de maiores esclarecimentos, acreditei ser mera coincidência de nomes.
A minha paixão por Tereza se esfumara no tempo e voltara-me o interesse pelos selos. As horas disponíveis eu as ocupava com a coleção.
Estava, uma noite, precisamente colando exemplares raros recebidos na véspera, quando saltou, janela adentro, um cachorro. Refeito do susto, fiz menção de correr o animal. Todavia, não cheguei a enxotá-lo.
- Sou o Teleco, seu amigo - afirmou, com uma voz excessivamente trêmula e triste, transformando-se em uma cotia.
- E ela? - perguntei com simulada displicência.
- Tereza … - sem que concluísse a frase, adquiriu as formas de um pavão.
- Havia muitas cores … o circo … ela estava linda … foi horrível … - prosseguiu, chocalhando os guizos de uma cascavel.
Seguiu-se breve silêncio, antes que voltasse a falar:
- O uniforme … muito branco … cinco cordas … amanhã serei homem … - as palavras saíam-lhe espremidas, sem nexo, à medida que Teleco se metamorfoseava em outros animais.
Por um momento, ficou a tossir. Uma tosse nervosa. Fraca, a princípio, ela avultava com as mutações dele em bichos maiores, enquanto eu lhe suplicava que se aquietasse. Contudo ele não conseguia controlar-se.
Debalde tentava exprimir-se. Os períodos saltavam curtos e confusos.
- Pare com isso e fale mais calmo - insistia eu, impaciente com as suas contínuas transformações.
- Não posso - tartamudeava, sob a pele de um lagarto.
Alguns dias transcorridos, perdurava o mesmo caos. Pelos cantos, a tremer, Teleco se lamuriava, transformando-se seguidamente em animais os mais variados. Gaguejava muito e não podia alimentar-se, pois a boca, crescendo e diminuindo, conforme o bicho que encarnava na hora, nem sempre combinava com o tamanho do alimento. Dos seus olhos, então, escorriam lágrimas que, pequenas nos olhos miúdos de um rato, ficavam enormes na face de um hipopótamo.
Ante a minha impotência em diminuir-lhe o sofrimento, abraçava-me a ele, chorando. O seu corpo, porém, crescia nos meus braços, atirando-me de encontro à parede.
Não mais falava: mugia, crocitava, zurrava, guinchava, bramia, trissava.
Por fim, já menos intranquilo, limitava as suas transformações a pequenos animais, até que se fixou na forma de um carneirinho, a balir tristemente. Colhi-o nas mãos e senti que seu corpo ardia em febre, transpirava.
Na última noite, apenas estremecia de leve e, aos poucos, se aquietou. Cansado pela longa vigília, cerrei os olhos e adormeci. Ao acordar, percebi que uma coisa se transformara no meus braços. No meu colo estava uma criança encardida, sem dentes. Morta.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Across the Universe - o filme

Acabei de assistir ao filme Across the Universe (2007), um musical ambientado nos anos 60, em meio à guerra do Vietnã, aos movimentos hippie e de contra-cultura, e, detalhe: só com canções de nada mais e nada menos dos The Beatles. Só por causa de tudo issoo filme já tem o seu valor não é mesmo?
Mas a história, o jogo de cena, a originalidade nas melodias e as letras intactas dos The Beatles faz do filme uma delícia de ser visto. Os personagens principais são Lucy e Jude (reconheceram os nomes, né?), que se conhecem a partir do momento em que Jude, que é de Liverpool, vai morar nos Estados Unidos.
Em terras americanas, Jude conhece e fica amigo de Max (irmão de Lucy), através dessa amizade Jude se apaixona por Lucy, mas em meio à confusão que parte do mundo vive naquele momento, várias disjunções acabam acontecendo para que no fim... ahhh eu não vou contar né! Tem que ver, vale apena.
A história, assim, resumida pode ser um tanto quanto água com açúcar, mas eu super recomendo.
Para vocês contarem com mais alguma credibilidade em relação ao filme, ele foi dirigido por Julie Taymor, premiada por seus trabalhos em Frida e na adaptação de O Rei Leão para a Broadway. Essa é a chave da questão, quem viu Frida sabe do que estou falando, pensem em cores, escuridão e beleza juntos, o filme tem tudo isso.
O elenco conta com jovens talentosos e bonitos, entre eles uma participação especial de Bono Vox na pele de um hippie. É imperdível!
Acho que deu para deixar vocês na vontade.
Mas... para garantir, vou postar uma cena musical bem linda do filme: Jude cantando Straberry Fields Forover.
Deleitem-se:
sábado, 20 de março de 2010
Encantada com Palavra [En]Cantada

Como é bom e gratificande ver um dvd de músicos, linguistas e poetas que adoro todos juntos. Nem nos meus sonhos mais profundos pensei em ver algo assim. A junção de Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Luiz Tatit, Maria Bethania, Tom Zé, Adriana Calcanhoto, Caetano Veloso, entre outros, debatendo sobre a construção do fazer poético e musical me deixou anestesiada, e apesar de não estar em um momento sóbrio adequado para um post, tinha que entrar aqui para desabafar, já que minhas companheiras de viagens culturais/ literárias (Marilisa, Marília e Tamires) não estão por perto.
Ver Chico rindo de sua composição de Choro Bandido; Tom Zé (sempre exagerado e belo) caracterizando sua primeira impressão de Dorival Caymmi; Caetano, na época de Alegria Alegria, tentando explicar a modernidade de sua composição e definindo a cultura pop e massificada da época; Lenine quase aos prantos por causa das variações fonéticas de nossa lingua; e perceber que hoje muitos seguem o sempre novo e inesquecível Tropicalismo não tem explicação. É extraordinário.
Para quem se indentifica com música, arte e literatura, Palavra [En]cantada é obrigatório.
Recomento para vida.
Amanhã vai ter repeteco, certeza que vou assistir novamente, só que mais sóbria e com um caderninho e caneta na mão, pois o documentário é uma verdadeira aula de cultura e história brasileira.
Vou ficando por aqui personas.
Já escrevi demais para quem está embriagada de conhecimento e outras cositas mais.
Até um próximo post galera.
Beijo de Um ser sendo em estado de extase.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Momento Epifânico: Esboço [Luiz Tatit]
Esboço
Cara de palhaço
Pinta de boneco
Pula o tempo todo
Não dá nem uma parada
Parece até ligado
Na tomada
Todo emocionado
Com a própria brincadeira
Qualquer coisinha cai
Na choradeira
Uns dizem que é homem
Outros que é mulher
Dizem que é velho
Por isso pinta a cara
Pinta porque é moço
Pinta porque é velho
Pinta porque é macho
Pinta por capricho
Não é por nada disso
Não é homem, não é mulher
Ele é um bicho
E ele passeia, passeia
Passeia como se fosse um turista
E cumprimenta todo mundo
Que freqüenta a Bela Vista
E mesmo que ele esteja sem dinheiro
Dá uma passadinha nos botecos de Pinheiros
Chega com uma cara que dá pena
Mas é gente muito boa
Lá da Vila Madalena
Sempre sobra um copo de cerveja
Fica tão contente
Mas não quer que ninguém veja
Então procura o centro da cidade
Na Liberdade
Lá ele aparece algumas vezes
Lá os seus amigos são chineses
Canta umas canções em pot-pourri
E o pessoal morre de rir
E no fim da noite
Dá o último giro
No Bom Retiro
Meio delirante
Meio inconseqüente
Muito colorido
Um destaque na paisagem
É todo uma figura
Um personagem
Não adianta perder tempo
Desprezando a sua imagem
Pois nunca ele ligou
Pra essas bobagens
Corpo de moleque
Corpo de borracha
Todo amolecido
Dobra tudo
Nada racha
Dizem que é um esboço
Que é alguém de carne e osso
Dizem que é um colosso
Por dentro e por fora
É gente como a gente
A gente sente
Pois se aperta ela chora
E ele vagueia, vagueia
Vagueia como se fosse um cachorro
Avança, volta um pouco
Chegando até Socorro
Lá ele não conhece muita gente
Então pega a Marginal, o Jóquei Clube
E segue em frente
Gosta de entrar um pouco na USP
Gosta de sentir que é estudante
Mesmo que não estude ele embroma
Com tanta perfeição
Que sempre sai com um diploma
E vem pra casa então todo feliz
Em Vila Beatriz
Tem os seus horários de paquera
Tem o seu lugar no Ibirapuera
Tem o seu amor em Santo Amaro
Que ele encontra pelo faro
E tem um gosto muito próprio
E muito raro
Balança a cabeça
Mexe o coração
Passa pela Penha
Pela Lapa, pelo Brás
E já não sabe bem mais
O que faz
Todo envergonhado
Quando encontra uma criança
Perde o rebolado
Sempre dança
Tido como louco
Fala muito pouco
Pula, gesticula
Flexível, inquebrável
Vai ver que ele é amável
Vai ver, é provável
Vai ver que ele é uma fera
Vai ver que ele devora
Vai ver que cê chegando
Bem pertinho, dando um sopro
Ele evapora.
Música:
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Um pouco do muito da teoria da Cultura
E tenho que confessar que está sendo fantástico. Cultura é tudo, pode até parecer um conceito fácil e piegas, mas a complexidade do signicado é ampla. Tudo que envolve uma socidade é cultura.
E por envolver uma socidade e seus costumes ela nos faz ser tão iguais e tão diferentes dentro de uma cultura compartilhada, e ao compartilharmos ideias (diferentes ou não), princípios, gostos culturais nos tornamos uma sociedade.
Pensar em cada aspecto dessa teoria abre um leque de reflexões: a cultura é culmulativa, passa por gerações, ela vive em constante inovação, até hoje nos baseamos, estudamos e pensamos em escritores como Platão e Aristóteles, nos encantamos e aprendemos com as tragédias e lendas gregas etc. Podemos ter como exemplo também todo o meio pragmático, como por exemplo a tecnologia; nos anos 90 usavamos celulares enormes e com pouca funcionalidade, com o constante estudo de especialistas o celular, o computador estão cada vez menores e avançados.
A cultura engloba desde crenças e valores, regras (leis) e moral (mores) de uma sociedade, passa pela criação intelectual, língua falada e vai até aos patrimônios históricos. Cultura: uma única palavra, muitos significados.
Na história e na atualidade da teoria da cultura há o relativismo cultural, ligado ao respeito a uma cultura diferente da nossa, por causa de preconceitos desse tipo (etnocentrismo), muitas civilizações antigas, junto com seus contumes, desapareceram. Quando nos deparamos com outra sociedade a diferença é a principal característica que temos em comum, e isso é e deve ser visto como algo fascinante.
O conceito de diversidade cultural é tão importante que a UNESCO, em 2001, publicou a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultura.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Para minha amiga Mariana
