segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O oba oba das compras coletivas e o meu azar

Volto ao meu cantinho, como de costume das últimas postagens, para um momento fala que eu te escuto compras coletivas.

Está um oba oba isso de comprar com descontos mirabolantes né?

O pessoal das redes sociais divulgando peixe daquilo, grupo daquilo outro, enfim, um carnaval...
E é claro que eu não fiquei de fora dessa, cadastrei meu e-mail em todos os sites de compras coletivas disponíveis, a partir disso começou um vendaval de promoções tentadoras chegando todos os dias, enfim, um oba oba generalizado.

Além de me cadastrar eu também aderi a duas compras para dar de presente, um para minha irmã e outro para minha sobrinha. Minha irmã gostou na hora que eu a presenteei, mas reclamou da falta de horários. Achei de boa, como diz aquele velho ditado: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Para mim ainda foi um bom negócio, acertei em cheio no meu presente de natal (apesar dela ter conseguido horário só em fevereiro). E eu, ao invés de ficar esperta com esse magnânimo exemplo, fui lá e cai de cabeça nessa por causa de uma super promoção de escova progressiva vip e tratamento midore que me deixou enlouquecida. Prazo: “09.02.2011 até 10.08.2011”. Tudo bem, achei que se eu ligasse no primeiro dia do prazo, sem falta, conseguiria pelo menos para março o atendimento. Tentei ligar no bendito salão no dia 9/2 o dia todo e nada, nisso já pensei (pois além de niilista e dramática eu também sou pessimista):
- Pronto me f&¨%$&.

Mas nada como um dia após o outro para ver a cagada completa.

No dia 10/2 eu tentei falar novamente, consegui depois de tentar muito. Juro.

Uma mulher me atendeu com a voz rouca, parecendo que não saiu do telefone o dia todo. Eu prontamente expliquei que comprei a escova através do Groupon e que quero marcar o dia que for possível, contando que seja sábado e no mais tardar no fim de março ou começo de abril. Ela rapidamente respondeu:

- Estamos lotados, sábado temos horário só em junho.

Quando ela me disse isso eu quase cai da cadeira e disse:

- Como assim? E durante a semana? Algum horário antes de junho? (usei uma entonação desesperada nesse momento)

E ela me respondeu:

- Durante a semana temos em 17/5.

Não tendo outra escolha eu concordei, claro que com um suspiro de lamentação. Na hora que eu estava passando meu telefone para contato caiu a ligação – Não é possível, pensei.

Eu, com muita paciência, liguei novamente para saber se a senhora marcou corretamente meu agendamento, e para meu espanto uma criança atendeu e lá vou eu explicar o que houve. Ela disse para eu esperar – Sim, espero.

Para meu espanto n° 1512, quando a menina foi perguntar para a senhora se meu agendamento estava marcado eu escutei o seguinte:

- Se ela marcou, está marcado. (com entonação brava)

Para finalizar aquela finíssima conversa eu elegantemente digo um solene obrigada...

... Mas no pensamento: %$&((&$¨*IY%*&¨$#$@%Y

Parafraseando outro ditado: É errando que se aprende. No mesmo dia soube de uma amiga que comprou pizza e ficou a ver navios também. É, não fui a única a passar raiva.

Sinceramente, de agora em diante vou dar preferência em pagar o valor redondo de um objeto valor, darei preferência ao bom atendimento, ao conforto de marcar quando eu quiser usar ou comer alguma coisa etc. Para mim esse negócio de comprar tudo junto é fria, foi fria.
Nevermore.

Pronto Falei.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Momento fala que eu te escuto: Quase diva

Os últimos meses, desde a minha última postagem, tem sido cheio de pendências, por isso a falta de posts.
Neste tempo ausente eu tirei férias em uma época que não pude fazer muita coisa por falta de companhia (ninguém merece, ano que vem tem que dá nordeste com o amor) mas descansei, e só Deus sabe o quanto precisava desse stop, portanto, não adianta eu reclamar, me valeu.
O fato é que perdi praia com a família, essa tem sido minha sina nos últimos anos, não posso reclamar também, pois tem me valido.
Devido a isso estou home alone esta semana, curtindo epifânias, fazendo planos do tipo girls just wanna have fun com as amigas, saboreando a comidinha da minha vó, ou seja, tô me virando da melhor maneira...
.... Mas eu tenho um carro chamado monza, vulgo tubarão, que ontem resolveu me deixar na mão em plena solidão, isso depois de um momento diva.
Momento diva:
Acordei 6:50 em ponto, sem soneca, tomei banho, fiz meu próprio café (raro), preparei um queijo quente e sai. No carro coloquei uns sambas antigos baixados outrora e estava indo feliz da vida ao trabalho, cantarolando: "A tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim..."
Momento fala que eu te escuto:
... Até que o carro morre, em pleno Paiva, e não liga mais. E o desespero, para quem eu ia ligar? Me surgiu na mente o tio Wilson que tem comércio próximo ao Paiva, liguei e ele foi me socorrer, buscou o mecânico, me emprestou o carrão dele para chegar ao trabalho e no fim deu tudo certo.
Daqui pra frente pensamento positivo para que o "tubarão" aguente até o fim das férias dos meus pais... Amém!


No próximo post eu farei um levantamento dos melhores e piores momentos de 2010. Nostálgico. Adoro.


A trilha sonora de hoje será "Condicional" dos Los Hermanos principalmente por causa do trecho:

"Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
existe alguém pra me libertar."





Beijo de Um ser sendo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Lavoura Arcaica

Hoje nas minhas andanças na blogsfera vi uma postagem sobre o filme "Lavoura Arcaica", dirigido pelo diretor Luis Fernando Carvalho e decidi publicar algo aqui no meu cantinho.
O filme é uma adaptação, diga-se de passagem fiel, do livro escrito pelo paulistano contemporâneo Raduan Nassar.
Conheci e fiz a leitura do livro na faculdade e me encantei, a obra é densa, com valores imorais para uma sociedade moralista. Nessa mesma época assisti ao filme.

Ambos são fantásticos, lindos, sublimes, chocantes. Pretendo ler e ver novamente a obra para escrever algo mais preciso aqui no blog, mas não podia esperar para postar algo assim, de momento.
A adaptação da obra para o cinema é fiel ao livro e por isso muita gente acha um filme parado e altamente reflexivo. Eu achei fantástico, as interpretações de Selton Mello, Raul Cortez, Leonardo Medeiros etc são surreais. As duas versões dessa obra são obrigatórias.


Segue trecho sobre "O tempo":


"O tempo é o maior tesouro que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento; sem medida que o conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: não tem começo, não tem fim; é um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo entretanto prover igualmente a todo mundo; onipresente, o tempo está em tudo. (...) rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira. O equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; por isso, ninguém em nossa casa há de dar nunca, o passo mais largo que a perna: dar o passo mais largo que a perna é o mesmo que suprimir o tempo necessário à nossa iniciativa (...) pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas."


[Raduan Nassar Tempo Lavoura Arcaica]

Abaixo, Raduan Nassar por Raul Cortez Tempo Lavoura Arcaica:



Um beijo de Um ser sendo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Texto interessante

O texto abaixo foi publicado no TwitLonger por @GiseleJota e escrito por Renato Braga. Achei interessante, espero que gostem.

Segue texto:


Desculpem meus amigos, mas vou votar no Serra.

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.

Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares. Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. "É uma vergonha!", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar porque, como em S.Paulo, ele vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.

Desculpem mas Voto no Serra....

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega, tem Orkut...Vergonha, vergonha, vergonha...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim...

Também cansei dessa coisa de biodiesel, petroleo do pré-sal, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode? Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Folha, Estadão, etc.). A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta.

Renato Braga

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Brasil encantado com Palavra [En]cantada

Há algumas postagens eu escrevi sobre o documentário "Palavra [En]cantada" e através desse post a Mary pediu que eu fizesse um ensaio mais elaborado para ser publicado no MS News de Abril e decidi, só hoje, compartilhar na blogsfera, espero que gostem:


Brasil encantado com Palavra [En]cantada

Por * Marcela Oliveira

“(...) o caminho de silêncios ganha direção, a música dá forma à palavra como se não fosse possível distingui-las. Porque a palavra é imagem que não tem forma, e a música, forma que não tem imagem. Da união nasce um significado. Reconhecemos na letra a melodia, e vice-verso, feito a expressão de uma coisa só.” A música da letra, Fábio Lucas.

O documentário de longa-metragem Palavra [En]cantada (2009), dirigido por Helena Solberg, é um super momento epifânico.


Como é bom e gratificante ver músicos, linguistas e poetas de renomes em um mesmo filme. O documentário passa por vários caminhos em que a música e a poesia percorreram no Brasil, o que nos dá a sensação de que música, história e lirismo podem e devem caminhar juntos.


O filme nos traz depoimentos a respeito dos trovadores; comentários sobre os antigos carnavais de rua e do morro, com destaque para Noel Rosa e Cartola; entendimentos sobre o surgimento da Bossa Nova com João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes entre outros; para logo mais nos fazer deparar com a grande novidade do tropicalismo com Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil etc; até chegarmos ao que conhecemos de música hoje, em um momento contemporâneo de diversidade de estilos.

O documentário conta com participações de primeira linha do cenário artístico musical brasileiro: Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Luiz Tatit, Maria Bethania, Tom Zé, Adriana Calcanhoto, José Miguel Wisnik, Jorge Mautner, Antônio Cícero, Ismael Silva, Paulo César Pinheiro, Lirinha e Martinho da Vila, debatendo sobre a construção do fazer poético e musical no Brasil.

Ver Chico rindo zombeteiro de sua composição de Choro Bandido; Tom Zé (sempre exagerado e belo) caracterizando sua primeira impressão das canções de Dorival Caymmi; Caetano, em imagem de arquivo, na época de Alegria Alegria, tentando explicar a modernidade de sua composição e definindo a cultura pop e massificada da época; Lenine quase aos prantos por causa das variações fonéticas de nossa língua; Maria Bethania caracterizando-se como intérprete amante da poesia; Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, dizendo o quanto a poesia pode e deve ser simples e bela ao mesmo tempo; e perceber que hoje muitos seguem o sempre novo e inesquecível Tropicalismo não tem explicação. É extraordinário.

Para quem se identifica com música, arte e literatura, e também para quem tem interesse na nossa vasta cultura literal e musical, Palavra [En]cantada é obrigatório.

Recomendado para a vida.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Momento Catártico: Mary & Max

Na postagem de hoje quero falar um pouco sobre o presente epifânico e catártico que a Priscila me enviou por correio há algumas semanas: a animação de longa-metragem no estilo stop-motion "Mary & Max", escrita por Adam Elliot e com personagens feitos de massinha.

Fiquei encantada com o filme, que tem a história centralizada nos personagens que da nome ao título (Mary e Max). A temática da animação conta com reflexões existenciais, problemas familiares, pensamentos filosóficos, sexualidade entre outros. Portanto, apesar de ser uma animação, creio que não seja recomendado a crianças muito novas. Aliás, o filme está longe de ser uma animação nos moldes da Disney/ Pixar, pois os tons são obscuros, os personagens altamente caricatos, há sim a riqueza de detalhes nos cenários, mas com certa deformidade.

Mary Daisy Dinkle, 8 anos, é uma menina solitária que vive na Austrália com a mãe que é alcoólatra e cleptomaníaca e com um pai lunático. Por causa deles ela acredita que os bebês em seu país nascem em canecas de cerveja. Certo dia, ao visitar com a mãe uma loja/ correio (não me lembro ao certo) Mary tem a ideia de enviar uma carta a um destinatário desconhecido para saber como os bebês nascem na América.

O destinatário é Max Jerry Horowitz, um americano de Nova Iorque, 44 anos, solitário, gordo, autodidata, com uma vida medíocre e portador da doença Síndrome de Asperger (bastante abordado no filme). Quando Max recebe e lê a carta de Mary passa por uma crise de ansiedade, mas responde esclarecendo todas as dúvidas da garota.

Apesar de certa vivência/ experiência do personagem Max e de toda a expectativa de uma vida inteira pela frente da personagem Mary, eles são sujeitos que se complementam. Mary leva sentido à vida de um quarentão solitário e Max passa à Mary a maturidade necessária, tanto que ela decide especializar-se na doença Síndrome de Asperger para ajudar o amigo.

A partir da troca de cartas começa uma amizade por correspondência que dura 20 anos, com direito a altos e baixos, alegrias e tristezas desses sujeitos tão verossímeis. Tenho vontade de escrever contando cada detalhe, cada cena, mas recomendo que todos assistam e sintam o que o filme transmite. Vale à pena.


Obs.: Eu, particularmente, tive uma catarse muito forte, uma identificação enorme com estes personagens, com direito a chororô e insônia (daquelas que o pensamento invade e não nos deixa dormir).